“O Método Kominsky” aposta em Michael Douglas e Alan Arkin para pontuar assuntos ligados à terceira idade, em uma comédia indicada a premiações de peso.


– Você está devendo o imposto de renda, Sandy! Achou que o governo se esqueceria de você? – Pergunta Norman.

– É possível, sim. Hollywood esqueceu. – Responde Sandy.

– U$300.000! É muito dinheiro.

– Vou te devolver tudo. Faremos um plano de U$1.000 por mês.

– Matemática não é o seu forte, né? Isso dá 25 anos! Sabe o quão velho eu estarei daqui a 25 anos? Morto!

– Ok. E se eu te pagar R$1.100 por mês?

– Continuo morto.


Este exemplo de diálogos rápidos com boas pitadas de sarcasmo e um humor ácido sintetiza perfeitamente O Método Kominsky, série que chegou aos catálogos da Netflix no último mês. A produção é centrada na amizade de Sandy Kominsky, um ator que já fez muito sucesso em Hollywood, e seu agente Norman, brilhantemente interpretados por Michael Douglas e Alan Arkin, respectivamente. Composta por oito episódios, a produção conquistou a aprovação da crítica e foi indicada ao Globo de Ouro 2019 nas categorias Melhor Série de Comédia ou Musical, Melhor Ator de Comédia para Douglas e Melhor Ator Coadjuvante para Arkin. As indicações do Critics’ Choice e do SAG Awards (o Sindicato de Atores de Hollywood) também contemplaram a série.

https://www.youtube.com/watch?v=fGjD2bkedlg

Assim como Grace & Frankie (2015–), também disponível na gigante do streaming, a nova produção se debruça sobre as questões relativas ao envelhecimento: a proximidade da morte, a ameaça das doenças e a dificuldade em retomar a carreira depois do ostracismo. Depois de anos afastados de Hollywood, Sandy trabalha como professor de teatro e tem que lidar com o abismo geracional que separa ele e a maior parte de seus alunos. Norman, por sua vez, tem um desafio similar: quando decide voltar para coordenar sua agência, fica chocado ao perceber que as pessoas não conversam mais entre si – apenas se conectam com telas. Se por um lado o protagonista resiste em falar sobre seus problemas de saúde, Norman passa por dificuldades em como lidar com o luto.

Além de contar com Sarah Baker e Nancy Travis no elenco, a comédia tem as excelentes participações de Elliott Gould (o pai de Ross e Monica, em Friends), Danny DeVito e Ann Margret. O idealizador da produção é ninguém menos que Chuck Lorre, responsável por The Big Bang Theory (2007 – 2018) ou Two and a Half Men (2003 – 2015). “Sinceramente, eu queria falar sobre o que estou vivendo, o que é envelhecer, o que acontece com seu corpo, o que acontece com sua mente, como você vai se degenerando”, disse em entrevista ao jornal El País. Para ele, O Método Kominsky é acima de tudo uma carta de amor à amizade.

A série é excelente para maratonar em pouquíssimos dias – os oito episódios são repletos de tiradas inteligentes e definitivamente deixam um gostinho de “quero mais”. Se o envelhecimento é um tema geralmente ignorado por grandes produções, que preferem mostrar corpos sarados e as angústias da juventude (afinal de contas, não são poucas narrativas que exploram o ambiente high school), O Método Kominsky dá um passo importante em dar visibilidade a outro grupo que também tem excelentes histórias para contar.


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