Apesar das pontas soltas e de situações que não se explicam, "As Telefonistas" não peca na emoção e no teor novelístico da produção.

Apesar das pontas soltas e de situações que não se explicam, “As Telefonistas” não peca na emoção e no teor novelístico da produção.


DDesde sua estreia no Brasil, em 2017,  As Telefonistas, distribuída pela Netflix, se propôs a ser uma clássica novela, cheia de drama e questões um tanto quanto surreais. De lá pra cá, a série conquistou o público equilibrando o melodrama e o conteúdo crítico que trazia, dizendo respeito tanto à sociedade da época, quanto à atual.

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A quarta temporada, recém chegada ao catálogo do streaming, no entanto, divide opiniões. Durante as temporadas anteriores, a trama envolveu o público, emocionou, proporcionou reflexões, e sobretudo, desenvolveu muito bem seus personagens, que tanto eram cheios de personalidade, quanto de questões que conferiam à trama o que ela precisava para se sustentar.

Dessa vez, os episódios decepcionam por continuarem um ciclo já conhecido pelo público e a sensação é de que já não há mais para onde levar a história – apesar do grande espaço de exploração que há nos personagens. A trama, aparentemente desgastada, continua batendo na tecla de questões que a circundam desde a primeira temporada e a torna um pouco cansativa. Apesar disso, As Telefonistas continua cumprindo seu papel de dramalhão, deixando o público tanto emocionado, quanto à beira de um ataque de nervos.

Quanto às nossas garotas do cabo, o triângulo amoroso vivido por Lídia/Alba (Blanca Suárez), Francisco (Yon González) e Carlos (Martiño Rivas) segue ao longo dos episódios, e ocupa um lugar de destaque com a situação de Francisco após ser baleado para salvar a filha de Lídia das garras de sua sogra.

Além do casal principal, outras personagens que estão no centro de As Telefonistas são Carlota (Ana Fernández) e Sara (Ana Polvorosa), que parecem sempre enfrentar alguma questão ao longo da narrativa, e desta vez se veem numa situação ainda mais extrema e que requer a ajuda de todas as outras para que consigam superá-la.

Depois de se livrar do marido, Angeles (Maggie Civantos) demonstra não ter um lugar definido nos novos episódios e acaba seguindo por caminhos que parecem muito improvisados. Marga (Nadia de Santiago), no entanto, se desenvolve muito mais nessa quarta temporada e parece levar sozinha o peso de não deixar a série despencar. Vivendo um dilema após uma espécie de triângulo amoroso com os gêmeos Pablo e Júlio (Nico Romero) na temporada anterior, ela explora novas possibilidades e se destaca entre as amigas.

Apesar de deixar muitas pontas soltas e forçar algumas situações, como a recuperação milagrosa de Francisco, a série não peca no que sempre se propôs: a emoção. As Telefonistas, mesmo com todos os erros, ainda vale a pena e cumpre sua função junto ao público fiel, que quer tanto o entretenimento, como a problematização.

A quarta temporada poderia ter sido o fim definitivo da história das nossas telefonistas, que se resolveram de forma até satisfatória, deixando poucas questões em aberto. Porém, a deixa para uma continuação foi dada e aparentemente, elas voltaram a encontrar no contexto da Guerra Civil Espanhola. A 5ª temporada de As Telefonistas já está sendo gravada e deve ser lançada no próximo ano, com uma 6ª também confirmada. Só nos resta torcer para que os erros cometidos dessa vez sejam corrigidos.

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