A primeira metade de "111" mostra que Pabllo Vittar volta com um novo álbum forte, interessante e envolvente para a música pop brasileira.

A primeira metade de “111” mostra que Pabllo Vittar volta com um novo álbum forte, interessante e envolvente para a música pop brasileira.


DDesde 2017 dizemos que “esse é o ano da Pabllo Vittar. A drag queen com mais seguidores nas redes sociais no mundo todo, surpreende com suas investidas no cenário musical a cada ano. Se o fato de K.O. ter sido uma das canções mais tocadas no Brasil em 2017, o lançamento do incrível Não Para Não em 2018 só fez com que ela subisse de patamar musical. Em 2019, o fim da Era Não Para Não chegou, mas o início da temporada de 111 começou prometendo ser a mais diferente da carreira até então. Será que Pabllo cumpriu?

Capa do álbum

O single inicial, lançado em julho, foi a primeira aposto de música totalmente em inglês de Vittar e, logo de cara, com participação de um grande nome do pop inglês: Charli XCX. Flash Pose é uma faixa gay, dançante e nostálgica, pronta para as baladas LGBTQIAP+. O vídeo, apesar de simples, traz o que foi prometido: muito carão e coreografia com muito voguing, além de enaltecer a cultura drag queen. Pabllo Vittar canta um ótimo inglês, tem muita atitude nos vocais e sabe adequar o tom da voz para o que cada parte da música pede. Já Charli faz uma participação interessante e é incrível ver uma cantora desse porte dando voz à um projeto brasileiro.

Qual não foi a surpresa ao ouvir Parabéns? Apesar de já ter dito que isso não aconteceria, depois de Flash Pose passou a existir um medo de que Pabllo deixasse de colocar sua clássica sonoridade brasileira nas músicas, assim como ela fez tão bem nos álbuns anteriores. Parabéns, com participação do Psirico é tudo o que precisávamos e mais.

Com boa composição e um refrão radiofônico, Parabéns é um featuring que faz diferença, música com cara de hit, clipe de esbanjar os olhos e, principalmente, uma coreografia chiclete do tipo que não víamos no cenário pop brasileiro há muito tempo – arrisco a dizer desde Bang, da Anitta. A faixa é um grande êxito para a lista de singles da cantora e que acerta por não ser uma música restrita à épocas de aniversário – na verdade, o conceito de aniversário é muito bem aplicado à música, que resume bem toda a proposta de 111.

Trazendo suas origens nordestinas, a artista entrega em Amor de Que uma das suas melhores composições. Se Seu Crime já tinha boas influências nordestinas, Amor de Que é um forrózão com letra de amor, superação e independência. A música é um hit pronto, grande destaque do álbum e merece um clipe à altura. Seu refrão faz dela quase que a nova K.O.: nasceu pronta pra ficar na boca do povo.

Contudo, nem tudo é perfeito. Ponte Perra é a primeira música inteiramente em espanhol e, apesar do título sugestivo (Seja Vadia, em tradução livre), a letra não entrega e é bem genérica como um todo. A batida e a produção até se destacam, mas são tão lineares que, em algum ponto, causam tédio. A música fica aquém de todo o projeto e acaba criando uma comparação que, se for pra pensar em Pabllo Vittar cantando em espanhol, prefiro ficar com a impressão causada por No Hablo Español, excelente faixa do disco anterior.

Pabllo Vittar no clipe de “Flash Pose”

Apresentados até então somente a primeira parte da coletânea, teremos que ficar esperando o complemento do álbum, algo que dada a qualidade do que já foi entregue, cria uma expectativa que não é legal de controlar. Mas, uma coisa fica clara: Pabllo está preocupada com que todas as faixas sejam, no mínimo, interessantes e está trabalhando do jeito certo com cada uma. Tem muita coisa boa sendo prometida para o lançamento de 2020 (inclusive uma parceria com Iggy Azalea). Resta esperar. Mas o fato é que, por enquanto, com o que vimos de 111, Pabllo Vittar está de parabéns!


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