Expandido o universo de "Laços", "Turma da Mônica: Lições" equilibra bem o drama do crescimento juvenil e o divertimento nostálgico.

Expandido o universo de “Laços”, “Turma da Mônica: Lições” equilibra bem o drama do crescimento juvenil e o divertimento nostálgico.


EEm 2019 vimos a Turma da Mônica chegar as telonas em carne e osso pela primeira vez. A obra de Maurício de Sousa, que já é parte do imaginário infantil e da cultura brasileira, e que já tinha marcado presença em quase todas as formas de mídia, finalmente ganhou um live action para o Cinema. Turma da Mônica: Laços fez um bom trabalho nos reapresentando a turminha e ao cenário que já conhecemos tão bem, de uma forma diferente. Agora, dois anos depois, Turma da Mônica: Lições chega para expandir esse universo.

Assim como seu antecessor, o filme também é baseado na graphic novel de mesmo nome escrita por Lu e Vitor Cafaggi e traz novamente Daniel Rezende na direção. Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira reprisam seus papéis como Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, respectivamente.

 

Lições

Nos quadrinhos, os personagens estão congelados nos sete anos de idade há muitas décadas, o que, claro, não é possível manter ao usar atores reais para interpretá-los. As crianças fofas e carismáticas do primeiro filme já não são mais tão crianças assim, e o filme usa dessa perda do aspecto infantil dos atores para trazer um enredo sobre o amadurecimento dos seus personagens.

Pela primeira vez na vida, os quatro protagonistas da turma precisam se separar. Mônica vai para uma escola nova longe de seus amigos, Magali começa a fazer aulas de culinária para lidar com a ansiedade, os pais do Cascão o colocam na natação para que ele perca seu medo de água e Cebolinha vai para uma fonoaudióloga tratar seu problema de fala. Ao se separarem, eles são obrigados a lidar com seus problemas individuais, que também são as principais características de suas personalidades. E é nisso que Turma da Mônica: Lições trabalha sua principal questão: é possível crescer sem perder a sua essência?

Ao separar os seus protagonistas, o longa abre espaço para inserir novos personagens da Turma da Mônica e expandir o cenário do famoso bairro do Limoeiro. Somos apresentados a novas versões de Marina (Laís Villela), Milena (Emily Nayara), Do Contra (Vinícius Higo), Humberto (Lucas Infante), Tina (Isabelle Drummond) e outros. E mais uma vez a direção de elenco acerta ao escalar atores que não só apresentam semelhanças físicas, como também capturam a essência dos personagens que interpretam. O design de produção também repete a fórmula de sucesso do primeiro filme ao criar um ambiente atemporal, que parece nos transportar diretamente para as páginas dos quadrinhos.

 

Quebrando Dinâmicas

Laços é um filme sobre amizade, que se constrói na dinâmica entre os protagonistas. Já Lições quebra essa dinâmica para falar sobre amadurecimento. É de se esperar que o novo longa traga uma carga dramática maior do que seu antecessor, porém o ponto fraco do filme é que ele parece exagerar na quantidade de momentos de drama, trazendo por vezes um ar de superficialidade. Talvez alguns desses momentos seriam melhor aproveitados para aprofundar na personalidade dos personagens, mostrando outras características deles além das estereotipadas que já conhecemos.

No geral, Turma da Mônica: Lições acerta muito ao mostrar a dualidade entre crescer e continuar sendo criança, se sustentando tanto na nostalgia quanto na novidade e sendo capaz de divertir e emocionar na mesma medida.

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