Perdido entre homenagem e atualização, "Ghostbusters: Mais Além" fica preso ao apelo nostálgico sem personalidade.

Perdido entre homenagem e atualização, “Ghostbusters: Mais Além” fica preso ao apelo nostálgico sem personalidade.


DDe todos os movimentos repetidos de Hollywood, talvez o que mais esteja perdendo fôlego, ou até mesmo já tenha se esgotado, é o de reviver franquias antigas na busca da fórmula de sucesso que combine nostalgia e atualização com equilíbrio. De Jurassic World à Independence Day, passando por Blade Runner e a retomada de Star Wars apenas para citar alguns, há um claro movimento de desgaste no resgate nostálgico como essência desses projetos. A nova empreitada no universo de Ghostbusters, após o divisivo “remake” feminino, chega alguns anos mais tarde para evidenciar o óbvio em toda essa dinâmica: que a nostalgia não se sustenta sozinha, sem alguma personalidade para o projeto.

Este problema é o cerne de Ghostbusters: Mais Além, que vem aos cinemas sob a direção de Jason Reitman — filho do diretor do longa “original”. Responsável por algumas dramédias elogiadas como Juno (2008) e Tully (2017), Reitman era um nome interessante para abordar essa suposta “renovação” da franquia pela via da comédia e do drama presente na dificuldade de exorcizar os fantasmas do passado (sem trocadilho).

O curioso é que mesmo que essa ideia exista em Mais Além, acaba sempre ofuscada pela constante homenagem à própria franquia e pelo resgate nostálgico de alguns momentos. No que cabe à história, acompanhamos uma família formada por uma mãe solteira (Carrie Coon) e seus dois filhos (Finn Wolfhard e Mckenna Grace) que se mudam para uma fazenda sem valor na típica cidade “no meio do nada”, que foi deixada pelo avô após seu falecimento. Dali em diante temos a descoberta de que o avô era Egon Spengler (um dos Caça-Fantasmas originais) e que a fazenda esconde não só o Ecto-1, como armadilhas e blasters para combater os fantasmas. E assim, as crianças assumem a parafernália antiga para caçar os fantasmas existentes na pequena cidade.

Por toda essa dinâmica de crianças disfuncionais super inteligentes e capazes de salvar o mundo (bem no estilo oitentista como Os Goonies e vários outros), Ghostbusters: Mais Além acaba como uma versão de Stranger Things com fantasmas. A diferença fundamental é que o longa tem dificuldade em se apropriar das referências e da mitologia existente que tanto tenta referenciar e resgatar. E na falta de personalidade de Reitman para transformar o que tem em mãos em algo mais cativante, o filme acaba mesmo como mais uma carta de amor ao trabalho do seu pai e ao sucesso do primeiro longa.

O triste é que na lógica do “homenagear o original” (e claro, o ator Harold Ramis, que faleceu recentemente), o filme deixa de lidar com o mais interessante que tem em mãos: os fantasmas. Acaba deixando de lado aquilo que é mais instigante, divertido e atrativo pro espectador e foca em relações afetivas entre personagens pouco envolventes — apesar da boa química entre Mckenna Grace e o carismático Logan Kim.

Ao final, entre algumas cenas divertidas e cativantes das jovens crianças disparando blasters contra alguns fantasmas e poucas boas piadas encaixadas aqui e acolá, Ghostbusters: Mais Além é mesmo uma tentativa desinteressante de reviver a franquia para um novo público mais jovem.

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