“Bliss: Em Busca da Felicidade” insere seu espectador em uma frustrante e confusa jornada de busca pelo sentido.


BBliss: Em Busca da Felicidade, é o novo filme original Amazon. Ele conta a história de Greg (Owen Wilson), um homem com a vida completamente sem rumo, divorciado, brigado com os filhos e infeliz no trabalho. Ele conhece Isabel (Salma Hayek), que vai mostrar que o mundo no qual ele vive é, na verdade, uma simulação e que existe um mundo real muito diferente daquele.

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O longa é um drama no molde de ficção científica. Não é o primeiro trabalho do diretor Mike Cahill que promove esta mistura de gêneros, como é o exemplo do filme A Outra Terra (2011), em que uma menina viaja para um planeta recém-descoberto para fugir de erros do passado.

Bliss: Em Busca da Felicidade consegue despertar certas percepções do público ao fazer um contraste entre o mundo simulado e o mundo real. Na simulação tudo é escuro, tem o aspecto frio e sujo, o que provoca sentimentos de agonia e angústia. Já o mundo real tem uma imagem quente, remetendo uma sensação mais calorosa e de esperança. Toda a construção visual desta última dimensão tem a intenção de construir um ambiente perfeito.

Entretanto, a dinâmica dos personagens nesse ambiente prova que toda aquela riqueza não é o suficiente para trazer felicidade a quem mora lá. Essa é a proposta do filme, refletir se o ser humano realmente é capaz de ser feliz.

No entanto, essa reflexão é muito mal construída. Para começar, nenhum dos dois gêneros têm uma presença plena na produção. Bliss: Em Busca da Felicidade não cria uma relação de empatia do público com os personagens. Toda a história familiar do Greg é vista superficialmente, o que faz com que o espectador não torça por uma reaproximação do pai com os filhos.

A ficção científica não é diferente. A ideia da simulação não tem um grande aprofundamento, a explicação do porquê ela existe é muito rasa, e como ela funciona, é pior ainda. Os últimos 30 minutos vão além na confusão, eles bagunçam o pouco que foi explicado e ainda inserem novas informações que não tem nenhuma base prévia.

Com toda essa confusão, o final não foge a regra e é pouco esclarecedor. Se Greg encontra a felicidade, eu não sei – gosto de imaginar que sim. Mas pode ser que o espectador de Bliss: Em Busca da Felicidade não a encontre.

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